Poemas no espírito da Poesia!

"Ja disse o homem que depois/ Morreu e ficou na memória./
Que existe uma coisa na roda da história/ Que uma camada pra trás quer rodar./
Mas estes não servem/ Pra pôr sua mão nesta manivela/
Ficarão a margem olhando da janela/
A luta do povo esta roda girar."

(Ademar Bogo - CD Arte em Movimento).

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segunda-feira, 12 de julho de 2010

ANA CLARA

Da vida... és continuação...
Nossa perpetuidade!
És parte de nosso coração...                                        
Tu elevas nossa vaidade!
        Ainda que esta seja passageira...
        Tu nos enche de alegria!
        'Ôba!' Tu gritas da soleira...
        Trazes a marca da ousadia!
Nos anima tua vivacidade...
Estar contigo não tem mau humor!
Apesar de tua pouca idade...
Tu és um jardim em flor!
        Ana: cheia de graça!
        Clara: menina brilhante!
        Tens a sabedoria da 'raça'...
     Manifesta no semblante!
Tu és a neta primogênita:
Felicidade da geração!
Tens a vivacidade congênita...
Ilustre, vemos assim por dedução!
        Cada dia nos supreende...
        Ao manifestar precocidade!
        Muito já compreendes...
        És um ser de amabilidade!
Dos poetas emprestei a ideia...
De ti veio a inspiração!
Tua existência é u'a estreia...
Instigas a imaginação!
        Sergio Bucco, 12.07.10

sexta-feira, 9 de julho de 2010

SER EU!

No espelho...
Ser eu mesmo!                                                                                  
Ser o que sou...
Sem crosta, autêntico!
Me libertando...
Mais solto!
Liberado das amarras...
Pra lá dos conceitos...
E dos preconceitos!
Dos rótulos...
Autêntico!
   Co'a alma desnudada...
   Ao vivo e a cores!
   C'o brilho da autodescoberta!
   Falo a verdade!
   Não minto!
   Ainda que às vezes omita...
   Ficando no limbo do mistério!
_____________________
Agradecimentos a Lucy Silva pelo incentivo!

Eu amor!

Eu amado.                                                    
Desejado...
Eu amante!
- Menino amendrontado...
-- Menino calado...
--- Menino tímido...
---- Menino inexperiente.
----- Menino assustado!

Eu amando.
Eu sonhando...
Eu desejando!
- Na rua!
-- Na secura!
--- Na poeira!
---- Na chuva!
----- Na lama!
------ Na beira...
------- Na cama!

Menino inusitado!
Eu em gotas!
Transbordando...
Na percepção!
Diluindo-me no espaço...
Guardo a memória...
Na escrita!
Na História!
Sem volta...
Na mata nativa!
Abóboda azul na clareira!
Nostalgia de 'vidas passadas'...
Ontem foi!
Agora é!
Ainda será...
Amanhã?
(06.07.10)

sábado, 3 de julho de 2010

ESPELHO DA MINH'ALMA

Lago de águas profundas é como minh'alma...
Águas misteriosas, às vezes límpidas, outras escuras!
Por vezes estancadas, outras em correntezas...
Águas ora cobertas de florestas, ora sob do sol!


Minh'alma, águas desejadas!
Minh'alma, águas rejeitadas!                                                        
Minh'alma, águas refrescantes!
Minh'alma, águas impróprias!


Águas profundas, longe dos raios solares...
Escuras, trevas, sem movimento!
Águas profundas, não se revelam...
Sofrem em silêncio, por um momento!


Minh'alma grita co'as orcas do oceano!
Minh'alma esquenta como um vulcão em erupção!
Minh'alma estremece como um maremoto!
Minh'alma tranquiliza como uma calmaria!


Minh'alma escorre como água da tempestade...
Minh'alma gela como temporal de neve...
Minh'alma ofusca como a névoa matutina...
Minh'alma brilha como chuva de verão...


Minh'alma às vezes silente!
Minh'alma por vezes escancarada!
Minh'alma às vezes contente!
Minh'alma por vezes abalada!                                                    


Alma que fala!
Alma que observa...
Alma que cala!
Alma que conserva...

Minh'alma na solidão...
Minh'alma em comunhão!
Minh'alma na multidão!
Minh'alma na contramão...


Alma que sobe em contemplação!
Alma que entra em ascensão!
Alma que escancara o coração!
Alma que se abre em profusão!


Minh'alma que diz...
Minh'alma que se esconde...
Minh'alma que se contradiz...
Minh'alma que corresponde...

YO TE MIRO

Yo te miro y miro otra vez...                                              
Y torno a mirarte!
Sin cansarme jámas...
De mirarte siempre!


Pues mirarte alimenta...
Mis ojos, mi mente, mi ser...
Estremece mi coración!
Me calienta del frío.


Mirarte otra vez...
Llename de alegría.
Dame fuerza para la camiñada...
Y disposición para hacer frente a la carretera.


Mirarte, apenas mirarte!
Sin piel, manos, boca...
Sólo mis ojos al encontro de los tuyos.
Sin palabras, sin jestos...
Solos tus ojos me ayudan vivir!


Porque mirarte es como un alimento...
Energia vital.
Mirarte hoy, mañana...
Durante el día...
Y en la noche.
Sob el sol..
O debajo de la luna...
Tú me miras y yo te miro!

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

RETROSPECTIVA DA CAMINHADA (EdoC)

Não foram as idéias que geraram este curso de especialização em educação do campo! Não foi nenhum líder iluminado que teve uma brilhante idéia.
Não, não foi nenhum doutor professor de universidade...
Foi a realidade material do povo campesino
Foi o campo, com suas demandas historicamente ignoradas por todas as políticas públicas. Marginalizado por todos os projetos de desenvolvimento.
Que desde sempre teve uma escola urbanizada e alheia ao seu contexto.
Sim, foi o campo e seus sujeitos, organizados em movimento, que fizeram isso acontecer.
Esta especialização é fruto de séculos de resistência, de luta e muito sangue derramado
Pelos lutadores e mártires do povo...
Da resistência e genocídio indígena,
Da resistência negra quilombola,
Dos camponeses de canudos e do contestado...
E tantos outros movimentos de luta campesina!
Quanta organização, quanto enfrentamento!
Quanto povo: mulheres, homens, jovens e crianças que se negaram
A serem seviciados pelo latifúndio criminoso!
Quanto sangue camponês regou esta terra!
E nós? Quem pensamos que somos?!?
Qual a importância que nos damos?!?
Nós tivemos a oportunidade e o privilégio de nos engajarmos
Num compromisso de transformação.
E este curso é sustentado com recursos que pertencem por direito ao povo camponês.
Nós ganhamos este curso, porém ele não é nossa propriedade...
Nós mesmos nos pertencemos ao campo
Pertencemos à Educação do Campo
Que esperam de nós um retorno.
E quem somos nós atualmente?
Mães, esposas, pais, jovens, trabalhadores em educação,
Que deixamos tudo, abrimos mão de casa, família, companheiros/as...
Para estudarmos e nos apropriarmos do território do conhecimento
E irmos a luta ou apenas continuá-la...
Os movimentos do povo foram ao campus universitário
E chamaram a universidade ao campo para apreender a dura, mas rica realidade deste.
Os movimentos abriram portas dos palácios catedráticos do saber.
Os movimentos foram aos palácios do poder, conquistaram recursos
E fizeram parceria com as prefeituras de R. Bonito do Iguaçu, Porto Barreiro,
Nova Laranjeiras, L. do Sul e Candói,
E parceria com a FUNPAR e a UFPR.
E na reta final, depois de muitos encontros, convivências, disciplinas e seminários
Estes espaços de saber foram conquistados.
E nós dialeticamente transformados.
No entanto, o processo continua...
A burguesia está mais ardida...
Pois para eles povo tem que ser ignorante!¹
Eia! Avante camaradas!
A luta está só começando!!!
SERGIO BUCCO/Rio Bonito do iguaçu-PR, 20/07/07.
_______________________________
1. Elaborado em 09.11.09

DO OFICINEIRO AO OPERÁRIO

No princípio era o servo.         
O servo pertencia ao feudo.
O feudo era do senhor feudal.
A terra dava o alimento ...
As oficinas atezanais produziam
Para as necessidades da população.                                
O sistema era auto suficiente.                                                


E veio a crise...
Muita chuva, frio e seca.
Falta de alimentos e fome.
A Peste Negra varreu o velho continente!
Entrementes as cidades ressuscitam!
O comércio reaparece...
O burgo, a feira, o banco e a burguesia!                                              
A oficina está sob nova orientação!
Tem o mestre, o jornaleiro e o aprendiz.
Todos sujeitos à corporação!
Tudo é regulamentado...
Para impedir a competição!


O espaço foi mudando!
Um barracão, constrói o burguês!
Ali reúne cada artesão!
O trabalho sofre transformação!                                                        
E o artesão vira assalariado!
Pelo patrão é explorado!
Já não sabe fazer tudo!
Está tudo dominado!
Sergio Bucco/Candói, 10/09/09