Poemas no espírito da Poesia!

"Ja disse o homem que depois/ Morreu e ficou na memória./
Que existe uma coisa na roda da história/ Que uma camada pra trás quer rodar./
Mas estes não servem/ Pra pôr sua mão nesta manivela/
Ficarão a margem olhando da janela/
A luta do povo esta roda girar."

(Ademar Bogo - CD Arte em Movimento).

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domingo, 7 de dezembro de 2014

VIDA – VIVÊNCIA – CORAÇÃO


A vida tem múltiplos facetas que a compõem.
Por vezes nos parece que ela está pronta...
Que nada mais precisa ser feito!
Que é só carimbar e...

Mas a vivência tem nuances...
Exigências, demandas...
Que não podem ser ignoradas
Sem prejuízo de um projeto
Em movimento e transformação.

E o coração – símbolo da vida
Poder sofrer com a indiferença
Ser magoado pela ingratidão
Ser moído pelo desprezo  
Ser preterido pela a-memória.

Mas nada disso é o fim!
Há modos de se encarar...
E administrar seu processo
(Fracasso ou sucesso!)
E continuar...

Hoje meu peito sufocou...
Ficou ardendo...
A ponto de chover pelos olhos!
Mas isto também vai passar!
Está passando!
Já passou...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

UM CORAÇÃO... UM LENITIVO


Uma vida, uma caminhada
Muitos campos, solos...
Lavrados, semeados, cuidados!
Uma farta e sustentável colheita!

É hora da compaixão...
Do exercício da misericórdia.
Da memória cordial...
Da gratidão...   

Um coração, uma dor...
Quiçá muitas dores!
A Lei da Semeadura...
Com muitas cores!

O celeiro cheio...
A tuia farta...
A mesa servida...
E um lugar vazio!

Diz que o tempo é o senhor...
Mas tem o Senhor do tempo!
Vivência, processo de mudança...
De conserto, de transformação!

No tempo da beira do abismo...
‘Um dia é como mil anos,
E mil anos como um dia!’
Eis aprumado, firme na Rocha!

Coração moído, dilacerado...
Lavrado, semeado, cuidado!
Coração quebrantado...
Aberto...  e iluminado!

Pulsando, sarado!
Batendo no ritmo...
Já desarmado...
Na paciência histórica
Na noite da fé!
No dia da esperança!
Na consumação do Amor!
                     
                      Sergio Bucco Educador Camponês

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O PRIMEIRO AMOR


Quando fica a ausência do que se perdeu
Quando as lágrimas caem como um rio
Quando tudo parece que chegou ao fim
Quando as ‘cópias’ não satisfazem
Quando fica o vazio de tudo...
Então lembramos o primeiro amor
Aquele que ficou...
Ou que nos deixou!

Os primeiros amores se foram!
O primeiro... espiritual.
O primeiro... conjugal
E nada ocupa seu lugar!
Vem o arrependimento
Vem o choro copioso...
De dor e de saudade!
Vem a vontade de consertar
Vem o desejo de reconstruir
Vem a luz a nos direcionar

Os primeiros amores andam juntos!
Por vezes um quer impedir o outro
Por óbvias razões da Sabedoria...
Ou por ‘razões que a própria razão desconhece’!
Mas outras vezes eles querem se unir
Por uma questão de sinergia...
E completude dos seres, das almas!

Nos caminhos e descaminhos da vida...
Vem a necessidade de pedir perdão
Ou de coração aberto perdoar...
No almejo da transformação,
De a perfeição alcançar!
E outra vez, como nunca dantes,
Amar, e amar e amar!
                                              
                                           Sergio Bucco - Candói, 16/09/14.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

NOTURNA SOLIDÃO


Como reclamar da solidão
Se a lua com seus raios de prata
Atravessa a janela do quarto...
E me abraça?

Como reclamar da solidão
Se uma matilha está presente
A rosnar constantemente...
Em disputa?

Como reclamar da solidão
Se o vento assovia
Reforça o frio...
E faz cantoria?

Como reclamar da solidão
Se a minha coberta
Suavemente me aquece...
E suavemente durmo?

Como reclamar da solidão
Se o falfalhar das folhas
E o grito das corujas...
Quebram o silêncio? 

Como reclamar da solidão
Se estou coberto pelas estrelas
E o Infinito me abraça...
Em sinais de amor sem fim?

Como reclamar da solidão
Se as mais doces memórias
Estão sempre presentes...
Compondo a minha história?

Se dependesse de determinados seres
Para ocupar as sentidas ausências...
Estaria perdido, finado...
Pelos seus rumos!

Como reclamar da solidão...?
Mas como reclamar...?
Qual sentido...?
Pra quê?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

LIBERDADE


É tão maravilhoso estar Livre!
Estar Livre de coisas ou situações que nos prendem…
Amarram e escravizam!
Estar Livre de falsidades, decepções, mágoas…
Sentimentos de vingança!
Estar Livre de manipulação, da pressão e do engano!
Estar livre na diversidade…
Sem discriminação e preconceito!
Estar Livre de pressão, de cadeias e de convenções!
Estar Livre para pensar, dizer, escrever…
Expressar, manifestar e fazer!
Estar Livre para sentir, emocionar-se…
Chorar, gritar e causar!
Estar Livre para errar e depois acertar!
Estar Livre sem prejudicar a outrem!
Estar Livre para ser sincero, transparente…
Espontâneo e verdadeiro!
Estar livre para transpor a mediocridade das galinhas…
E alçar o vôo das águias nas alturas!
Estar livre para exercer a própria vontade!
Estar Livre para ir e vir!
Estar Livre para olhar, observar…
Analisar, considerar, elaborar e conhecer!
Estar livre ao que é lícito e conveniente!
Estar livre ao respeito, à responsabilidade…
À solidariedade e a compaixão!
Estar Livre aos princípios da Ética!
Estar Livre ao afeto, ao carinho, ao amor!
Estar Livre ao Movimento…
Estar Livre para cativar, ouvir…
Compreender e ajudar!
Estar Livre para arar, semear, cultivar e colher!
Estar livre para ser positivo e esperançoso!
Estar livre para viver a simplicidade!
Estar livre para optar e escolher…
Estar livre das culpas do passado…
E das preocupações do futuro!
Estar Livre para organizar, resistir, lutar…
Ou dizer não quando preciso!
Estar livre ao imanente e ao transcendente!
Estar livre para viajar ao mais profundo do eu…
E aos mais diversos lugares!
Estar livre para nascer, viver…
Abundantemente e morrer!
Estar livre para a Liberdade…
                 Sergio Bucco - Candói, 18/02/14.

domingo, 25 de maio de 2014

GENTE VIRTUAL E PESSOAS REAIS



Quando abrimos o computador...
As nossas portas se fecham!
Não falo de outrem...
Mas me refiro a mim!

A viagem pelo mundo virtual...
Nos separa profundamente do real!
Perdemos a pessoalidade...
E a operação do encontro!

E então perdemos facetas...
Como o colorido das flores!
A variedade das florestas!
O canto do passaredo!
O cheiro da relva!
Os pingos da chuva!
Os raios do sol...

Perdemos ainda oportunidades...
De encontrar gente!
De conversar com pessoas!
De confraternizarmos com amigos!
De fazermos a diferença no convívio!
De nos curtirmos!
De nos amarmos!
De nos doarmos!
De nos completarmos!

A tecnologia chegou...
Para ficar e nos ajudar!
Mas nós precisamos estar atentos...
Para não trocar o real pelo virtual!
E não perdermos as infinitas visões...
Os encontros...
A comunhão...         
Os cheiros
Os sabores...

Os amores!
           Sergio Bucco

quinta-feira, 22 de maio de 2014

VIVER É UM ATO POLÍTICO


Se Política por definição é cuidado com a vida.
Se Política é preocupação com as questões da póllis.
Se Política é fazer planejamento estratégico.
Se Política é fazer organização social.
Se Política é lutar pelo bem comum.
Se Política é buscar as transformações...
Então todos... somos políticos!

Se ser Apolítico...
Se dizer que não gosta de Política.
Se afirmar que odeia Política...
Se não quiser fazer política
Então todos e todas somos Políticos...
E fazemos a Política do contra!

Já tivemos Ditadura!
Persistem Oligarquias...
Temos a Democracia...
Representativa, participativa, direta!
Há as Políticas de governo...
Nos diferentes segmentos!
Há as diversas Políticas...
Como Educacional, Saúde...
Há política eleitoral.
Há a Política partidária.
Esta última é parcial...
Mas ainda necessária
Em nossa cultura social.
Em nossa cultura organizacional.
Em nossa cultura econômica.
Em nossa cultura ambiental.

Estes são seus múltiplos conceitos.
Estes ainda são seus diversos desenhos.
Estas são suas práticas, às vezes ambíguas!
Mas nada impede a criatividade humana e social...
Tanto podem ser superados os seus vícios...
Como urdidas novas formas de organização da Vida!
Viver é um ato político!

Tudo é Política!
                                        Sergio Bucco - Candói, 22/05/14.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Já não se encantarão os meus olhos nos teus

       

Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor.

Fui teu, foste minha. O que mais? Juntos fizemos
uma curva na rota por onde o amor passou.

Fui teu, foste minha. Tu serás daquele que te ame,
daquele que corte na tua chácara o que semeei eu.

Vou-me embora. Estou triste: mas sempre estou triste.
Venho dos teus braços. Não sei para onde vou.

...Do teu coração me diz adeus uma criança
E eu lhe digo adeus.
                                         Pablo Neruda

terça-feira, 6 de maio de 2014

QUERO SER EU


Eu apenas quero ser eu!
Ser eu mesmo por inteiro!
Nó de relações históricas...
Que me constituem!
Ser eu sem máscaras e papéis!
Ser eu não para agradar...
Ser eu para completar!
Ser eu sem falsidade!
Ser eu sem mesquinharia...
Ser eu sem enganação!
Ser eu sem traição...
Ser eu com a minha cara!
Ser eu com a minha história!
Ser eu com a minha caminhada!
Ser eu com as minhas conquistas!
Ser eu com as minhas perdas...
Ser eu com conhecimento...
Ser eu com minha ignorância!
Ser eu com experiência...
Ser eu com as carências!
Ser eu com minhas neuras...
Ser eu com meus limites!
Ser eu aqui, ali, acolá...
Ser eu em qualquer lugar!
Ser eu com quem estiver...
Ser eu com o que vier!
Ser eu com o que der...
        Ser eu compaixão!
Ser eu solidariedade!
Ser eu superação...
Ser eu curiosidade...
Ser eu contradição!
Ser eu movimento!
Ser eu transformação!
Ser eu totalidade!
Ser eu teoria e práxis!
Ser eu companheiro...
Se eu amigo!
Ser eu amor!
Ser apenas...
E tão somente...
Verdadeiramente...
Eu mesmo!

                                                 Sergio Bucco