Poemas no espírito da Poesia!

"Ja disse o homem que depois/ Morreu e ficou na memória./
Que existe uma coisa na roda da história/ Que uma camada pra trás quer rodar./
Mas estes não servem/ Pra pôr sua mão nesta manivela/
Ficarão a margem olhando da janela/
A luta do povo esta roda girar."

(Ademar Bogo - CD Arte em Movimento).

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domingo, 22 de março de 2015

PRA ALÉM DOS SONHOS


No silêncio da madrugada...
Mavioso som me desperta
E um cantar de pombas se ouve...
Ensaiando seu arrulhar matutino.

Me quedo sozinho...
Fruto das minhas “escolhas”.
E além do barulho do silêncio,
Ouço ao longe algum galo a cantar.

Por instantes sinto vazios...
Uma dor dilacerante na alma
Mas chega o lenitivo divino
E então posso reviver...

São tantas as impressões...
Deixo a cama vazia.
Levanto, me hidrato...
Apelo às poções mágicas

Enfrento os desafios da aurora
A vida se agita...
Chega preguiçosamente o sol

E me ponho na estrada!

Nada passa batido...
Ou cai no esquecimento!
Tudo fica latente...
Em processo de 'avaliação'!

   Sergio Bucco - Recanto Betel, 19/03/15.

domingo, 7 de dezembro de 2014

VIDA – VIVÊNCIA – CORAÇÃO


A vida tem múltiplos facetas que a compõem.
Por vezes nos parece que ela está pronta...
Que nada mais precisa ser feito!
Que é só carimbar e...

Mas a vivência tem nuances...
Exigências, demandas...
Que não podem ser ignoradas
Sem prejuízo de um projeto
Em movimento e transformação.

E o coração – símbolo da vida
Poder sofrer com a indiferença
Ser magoado pela ingratidão
Ser moído pelo desprezo  
Ser preterido pela a-memória.

Mas nada disso é o fim!
Há modos de se encarar...
E administrar seu processo
(Fracasso ou sucesso!)
E continuar...

Hoje meu peito sufocou...
Ficou ardendo...
A ponto de chover pelos olhos!
Mas isto também vai passar!
Está passando!
Já passou...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

UM CORAÇÃO... UM LENITIVO


Uma vida, uma caminhada
Muitos campos, solos...
Lavrados, semeados, cuidados!
Uma farta e sustentável colheita!

É hora da compaixão...
Do exercício da misericórdia.
Da memória cordial...
Da gratidão...   

Um coração, uma dor...
Quiçá muitas dores!
A Lei da Semeadura...
Com muitas cores!

O celeiro cheio...
A tuia farta...
A mesa servida...
E um lugar vazio!

Diz que o tempo é o senhor...
Mas tem o Senhor do tempo!
Vivência, processo de mudança...
De conserto, de transformação!

No tempo da beira do abismo...
‘Um dia é como mil anos,
E mil anos como um dia!’
Eis aprumado, firme na Rocha!

Coração moído, dilacerado...
Lavrado, semeado, cuidado!
Coração quebrantado...
Aberto...  e iluminado!

Pulsando, sarado!
Batendo no ritmo...
Já desarmado...
Na paciência histórica
Na noite da fé!
No dia da esperança!
Na consumação do Amor!
                     
                      Sergio Bucco Educador Camponês

terça-feira, 16 de setembro de 2014

O PRIMEIRO AMOR


Quando fica a ausência do que se perdeu
Quando as lágrimas caem como um rio
Quando tudo parece que chegou ao fim
Quando as ‘cópias’ não satisfazem
Quando fica o vazio de tudo...
Então lembramos o primeiro amor
Aquele que ficou...
Ou que nos deixou!

Os primeiros amores se foram!
O primeiro... espiritual.
O primeiro... conjugal
E nada ocupa seu lugar!
Vem o arrependimento
Vem o choro copioso...
De dor e de saudade!
Vem a vontade de consertar
Vem o desejo de reconstruir
Vem a luz a nos direcionar

Os primeiros amores andam juntos!
Por vezes um quer impedir o outro
Por óbvias razões da Sabedoria...
Ou por ‘razões que a própria razão desconhece’!
Mas outras vezes eles querem se unir
Por uma questão de sinergia...
E completude dos seres, das almas!

Nos caminhos e descaminhos da vida...
Vem a necessidade de pedir perdão
Ou de coração aberto perdoar...
No almejo da transformação,
De a perfeição alcançar!
E outra vez, como nunca dantes,
Amar, e amar e amar!
                                              
                                           Sergio Bucco - Candói, 16/09/14.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

NOTURNA SOLIDÃO


Como reclamar da solidão
Se a lua com seus raios de prata
Atravessa a janela do quarto...
E me abraça?

Como reclamar da solidão
Se uma matilha está presente
A rosnar constantemente...
Em disputa?

Como reclamar da solidão
Se o vento assovia
Reforça o frio...
E faz cantoria?

Como reclamar da solidão
Se a minha coberta
Suavemente me aquece...
E suavemente durmo?

Como reclamar da solidão
Se o falfalhar das folhas
E o grito das corujas...
Quebram o silêncio? 

Como reclamar da solidão
Se estou coberto pelas estrelas
E o Infinito me abraça...
Em sinais de amor sem fim?

Como reclamar da solidão
Se as mais doces memórias
Estão sempre presentes...
Compondo a minha história?

Se dependesse de determinados seres
Para ocupar as sentidas ausências...
Estaria perdido, finado...
Pelos seus rumos!

Como reclamar da solidão...?
Mas como reclamar...?
Qual sentido...?
Pra quê?

segunda-feira, 26 de maio de 2014

LIBERDADE


É tão maravilhoso estar Livre!
Estar Livre de coisas ou situações que nos prendem…
Amarram e escravizam!
Estar Livre de falsidades, decepções, mágoas…
Sentimentos de vingança!
Estar Livre de manipulação, da pressão e do engano!
Estar livre na diversidade…
Sem discriminação e preconceito!
Estar Livre de pressão, de cadeias e de convenções!
Estar Livre para pensar, dizer, escrever…
Expressar, manifestar e fazer!
Estar Livre para sentir, emocionar-se…
Chorar, gritar e causar!
Estar Livre para errar e depois acertar!
Estar Livre sem prejudicar a outrem!
Estar Livre para ser sincero, transparente…
Espontâneo e verdadeiro!
Estar livre para transpor a mediocridade das galinhas…
E alçar o vôo das águias nas alturas!
Estar livre para exercer a própria vontade!
Estar Livre para ir e vir!
Estar Livre para olhar, observar…
Analisar, considerar, elaborar e conhecer!
Estar livre ao que é lícito e conveniente!
Estar livre ao respeito, à responsabilidade…
À solidariedade e a compaixão!
Estar Livre aos princípios da Ética!
Estar Livre ao afeto, ao carinho, ao amor!
Estar Livre ao Movimento…
Estar Livre para cativar, ouvir…
Compreender e ajudar!
Estar Livre para arar, semear, cultivar e colher!
Estar livre para ser positivo e esperançoso!
Estar livre para viver a simplicidade!
Estar livre para optar e escolher…
Estar livre das culpas do passado…
E das preocupações do futuro!
Estar Livre para organizar, resistir, lutar…
Ou dizer não quando preciso!
Estar livre ao imanente e ao transcendente!
Estar livre para viajar ao mais profundo do eu…
E aos mais diversos lugares!
Estar livre para nascer, viver…
Abundantemente e morrer!
Estar livre para a Liberdade…
                 Sergio Bucco - Candói, 18/02/14.

domingo, 25 de maio de 2014

GENTE VIRTUAL E PESSOAS REAIS



Quando abrimos o computador...
As nossas portas se fecham!
Não falo de outrem...
Mas me refiro a mim!

A viagem pelo mundo virtual...
Nos separa profundamente do real!
Perdemos a pessoalidade...
E a operação do encontro!

E então perdemos facetas...
Como o colorido das flores!
A variedade das florestas!
O canto do passaredo!
O cheiro da relva!
Os pingos da chuva!
Os raios do sol...

Perdemos ainda oportunidades...
De encontrar gente!
De conversar com pessoas!
De confraternizarmos com amigos!
De fazermos a diferença no convívio!
De nos curtirmos!
De nos amarmos!
De nos doarmos!
De nos completarmos!

A tecnologia chegou...
Para ficar e nos ajudar!
Mas nós precisamos estar atentos...
Para não trocar o real pelo virtual!
E não perdermos as infinitas visões...
Os encontros...
A comunhão...         
Os cheiros
Os sabores...

Os amores!
           Sergio Bucco