Poemas no espírito da Poesia!

"Ja disse o homem que depois/ Morreu e ficou na memória./
Que existe uma coisa na roda da história/ Que uma camada pra trás quer rodar./
Mas estes não servem/ Pra pôr sua mão nesta manivela/
Ficarão a margem olhando da janela/
A luta do povo esta roda girar."

(Ademar Bogo - CD Arte em Movimento).

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Apesar de ti

Apesar de ti o mundo existe! Sem ti ele existe também!
Tu e eu não fazemos falta nenhuma ao mundo...
Aliás, sem nós pode ser que ele tenha mais chances de ser!
Nós Humanos somos os piores predadores da Terra!
Conosco o mundo pode acabar!
Sem nós ele poderá continuar...


Apesar de tudo...
O mundo ainda está aqui!
Está em movimento contínuo...
Tudo se move constantemente!
Nada pára hora nenhuma...
Nada é igual...
Tudo se transforma!


As águas evaporam, formam as nuvens e caem de volta...
Penetram nas florestas, nos campos, nas lavouras...
Fecundam o solo e fazem as plantas crescerem!
Não encontrando lugar para encharcar, as águas...
Correm rápida e velozmente para os fundos de vale...
E tod@s conhecemos as consequências...
Mas as águas não são culpadas!
E a Terra judiada, pelada, lavrada, envenenada, continua...
Num processo de resistência, ainda dando lugar a tod@s!
Parece o dito que diz: “O sol nasce para todos, bons e maus!”

sábado, 10 de outubro de 2009

IDEAL, REAL, SONHO OU ILUSÃO!?!


Ontogênese: origem do ser!
Práxis: ação refletida!
Trabalho: como princípio educativo!
Ser, estar, acontecer!
Espaço de ação e transformação!
Essência, muito além da aparência!
Conhecimento, consciência, ciência!
Sujeito, coletivo, comum!
Viver, participar, organizar...
Fenômeno articulado com o todo!
Dialética e Movimento: 
mudança permanente!


Nichos, ilhas, excelências...
Indução, cooptação, manutenção...
Sistema, resistência, sobrevivência.


E nós colocados em outro lugar
Com outra proposta educativa
Sob um discurso alternativo mudancista
Em espaço potencialmente revolucionário
Com privilégio de tempo
Nem tanto de espaço
Construindo conhecimento integral,
Transdisciplinar e contextualizado,
Na inserção real com educandos.
E nós fora do arraial, da forma, da ‘área’,

Em processo de formação, em cursos...


Nas casas... à disposição, por horas padrões.
Pouco tempo de trabalho formatado...
Dentro de quarenta horas semanais.
O que o sistema quer de nós?
Que quer o governo de nós?
Projeto de superação?
O ideal, o real, o sonho ou a ilusão?
E nós o que somos e o que queremos?

Sergio Bucco - Curso de Formação - SED/ARCAFAR SUL - CTBA/PR, 18/04/2007.

O CAMPO DA EDOC



O campo é Território
E demanda uma Educação.
O povo faz um ofertório...
Ele quer emancipação!


De condições mais naturais,
Tem saberes e sabores da terra
Vindos dos Povos Indígenas e Faxinais,
Ribeirinhos, Caiçaras, Quilombolas...


A Educação quer ser resistência
Na busca de Autonomia...
Sabe a quem a reverência
Na luta de todo dia!


No campo da Liberdade,
Na busca do Desenvolvimento
Cria Sustentabilidade
Da família cem por cento!


Ela nasce de um sonho
Sonhado pela Coletividade
Ao Campo só traz ganho...
Respeitando a alteridade.


Lócus da Biodiversidade,
Cultiva a Ética do Cuidado.
O camponês com sinceridade
Está atento para não ser ludibriado!


A Revolução Verde foi de morte...
Não permitiu ao Povo avaliar.
Deixou-o à própria sorte...
Já não podia se alimentar!


Depois se chamou Agronegócio...
Tudo em função do capital!
A produção se chamou mercadoria
E o camponês se deu mal!


A Educação neste contexto
É um processo em construção.
Não enrola com pretexto...
Mas objetiva a Transformação!


Ela tem muitas ferramentas
Pois vem de outra visão...
A urbana fique atenta.
Ela é feita com o coração!


O camponês produz para o consumo
E para complementar sua renda...
Com tecnologia cria seu insumo
Bem diferente da fazenda!


A Agricultura é como a Mística:
Uma prática transcendental!
Ela tem sua logística:
Uma ação fundamental!


O jeito do trato com a Terra
Pode se chamar Agroecologia!
Basta de veneno da guerra...
Agora tem Tecnologia!


Produzir com Saúde o Alimento
Pois a prioridade não é exportar!
Se prioriza o autossustento...
Sem deixar a Terra acabar!

Solo, útero das sementes
A vida nele se quer perpetuar!
Produzir Alimentos das Gentes
E as fases da lua respeitar!


Gaia, complexo interdependente
Faz pensar e se produz Filosofia!
Práxis que envolve toda gente
Da Cidade e do Campo todo dia!

Esta Educação tem também seu Cantar!
Arte que identifica seu Território...
Com Movimentos sociais está a caminhar
E tem grande animação seu repertório!


Estas quadras são um rascunho...
Estímulo para a companheirada.
As escrevi do próprio punho...
Para ver toda turma animada!

Sergio Bucco – Seminário de EdoC/ Fax. Do Céu (10/10/2006)


e II Seminário de EdoC/Dois Vizinhos (16/11/2006) – PR.
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Imagem: http://diaadia.pr.gov.br/

PROFESSORA MILENA¹

Senhora, menina moça!

Educadora sexagenária!
Vê a educação desde a roça.
É uma pessoa visionária!


Assim como o velho mestre,
Faz uma leitura do mundo...
Tem uma leitura campestre.
Busca a raiz bem profunda!


É contra a avalanche neoliberal,
Em defesa dos direitos sociais.
Uma posição contra o mal...
A favor dos direitos iguais.


Por muitos anos esteve na luta.
Nas organizações de esquerda militou.
Do sistema não quis ser prostituta.
E mesmo decepcionada não capitulou.


O sistema lhe mostrou veleidade...
Que pra dominar mostrou despolitização.
A mestra manteve a radicalidade.
Jamais abriu mão da formação.


Afirmou que a tragédia está armada.
Mas devemos manter a resistência.
Reunir com cada camarada...
E trabalhar com inteligência.


Há possibilidade de transformação
Que pode se dar pelo local...
Democracia com participação
E transparência é fundamental.


A plantação está feita!
Façamos os cuidados culturais.
Cada texto, cada palavra se aproveita...
Avançar sempre, retroceder jamais!

Sergio Bucco, 2007.
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¹ Professora Milena Martinez lecionou no Curso de EdoC em R. Bonito do Iguaçu/PR.

SEMENTE


Fartos são os ditados sobre a semente.

De igual modo as filosofias.
Inspiração de muitos poetas.
Bem como os estudos da biologia
Motivo de pesquisa de bancos genéticos.
Tema de muitos experimentos...


Da vida é prolongamento.
Uma explosão de energia.
Renovação constante da vida.
Alimento, sinal de perpetuação...
Patrimônio da humanidade.
E de todos os seres viventes.


Elemento cobiçado pela ganância.
Em processo de domínio...
Através da biotecnologia...
Para os povos submeter.
Mediante a criação da transgenia!
Por meio de impostos de ‘direitos de patente’
E o monopólio de sua comercialização.


Isto tudo e muito mais é a semente!
E o que ela representa...
Como o que querem fazer com ela...
Sem sementes crioulas adeus independência,
Não haverá mais emancipação!
Porém ao final do túnel há uma esperança:
Consciência , organização, resistência e luta!

Sergio Bucco, 20/09/2006.
Imagem:  http://www.emater.tche.br/site/noticias/noticia.php?id=7639

ESTUDAR NA CFR¹



A CFR¹ é uma escola diferente!
Aqui colocamos a ciência em prática!
Tem lugar para toda gente...
Aprendemos também a gramática!

Aqui conhecemos os tipos de terra.
Trabalhamos a compostagem...
Trazemos conhecimento de outras eras.
Não tem espaço para traquinagem!

Temos currículo e conteúdos.
A vida queremos entender...
Não nos assustam os rabudos...
Queremos o mundo saber ler!

Nossa maior companheira é a família.
Para entendermos nossa cultura.
Temos apoio até de Brasília...
Para reforçar a agricultura!

Na CFR também nos divertimos...
Ao cantar, dançar e jogar bola!
No cotidiano o saber adquirimos.
Em nossas relações a amizade rola!

Na CFR se aprende a trabalhar...
Na horta e jardim temos cultivos!
Não pensem que nossa vida é só bricar!
Somos meninos e meninas altivos!

Aprender e trabalhar é um processo...
Como um princípio educativo!
Nossa vivência é um sucesso...
E o produto é positivo!

Contamos sempre com vocês!
Cumpriremos mais uma jornada...
Até nos encontrarmos outra vez
Seguiremos a nossa estrada!

Sergio Bucco e turma 2007.
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¹ CFR: Casa Familiar Rural.

REVOLUÇÃO VERDE E RESISTÊNCIA

Nos idos dos anos sessenta
Uma revolução química acnteceu.
O solo então não se sustenta...
E o conhecimento se perdeu!

A pesquisa estava como pilar
Na exportação teve sua lógica.
Os agricultores passou a embolsar
Criando uma situação patológica.

A indústria estava instalada...
E grandes 'cooperativas' a negociar.
A prática tradicional foi atropelada...
E fez a dependência aumentar!

Chegava o agrônomo veneneiro...
Entrando na cozinha do agricultor.
Demonstrava dentro do seu terreiro...
Os conhecimentos de 'doutor'!

Faltava aos técnicos saber ouvir.
E ao agricultor compreender...
Na base do conhecimento construir
E a dinâmica do solo entender!

Resultado fácil se deu...
Do campo sairam milhões!
O favelamento cresceu...
Aumentando os grilhões!

Nos idos dos anos noventa
Cresceu a resistência.
O campo já não aguenta...
Recupera a sua competância!

Ainda persiste a assistência
E das multi... a escravidão.
Não se conhece da vida a essência.
Basta, vamos na contramão!

A ATER deve criar nova visão.
O potencial do campo reconhecer.
Com  organização ampliar a integração
E a vida de qualidade crescer!

E os agricultores na base...
devem normatizar pela convenção.
Desenvolver nas relações nova fase
E o coletivo fazer a transformação!

Sergio Bucco, 14/11/2006.